Shim Chung, Um Conto de Piedade Filial

Universal Ballet

Centro de Convenções de Chiba, Japão

1 de Setembro de 2006

 

 

No mesmo dia da vinda da Verdadeira Mãe com a Verdadeira Família no Japão, aconteceu a apresentação do Universal Ballet em Chiba no Japão. Desta vez executando a peça "Sim Chung, a filha do Ancião cego."

Shim Chung (沈清) é mencionada no livro Princípio Divino, na página 371, onde se lê que a nação coreana ama como um todo a história de Shim Chung.

É uma história que se passa no século 18 na era Chosun. Num pobre vilarejo,  o senhor Shim, um ex-funcionário real devoto ao rei fica cego e pobre devido à perseguição e calúnias de inimigos. Sua esposa está para dar à luz à uma menina. Shim Chung então nasce, mas sua mãe morre devido ao difícil parto.

Não podendo trabalhar, o pai de Shim Chung é obrigado a esmolar comida para si e a sua filha. Comovidas com a situação de Shim Chung, as mulheres do vilarejo providenciam ajuda ao senhor Shim.

Shim Chung cresce tornando-se numa graciosa adolescente e logo é chamada para trabalhar como servente na residência de um nobre local. De dia trabalhava e retornando à sua casa de noite, cuidava de seu pobre pai.

Um dia, ela teve que trabalhar até mais tarde e não retornou à sua casa como de costume. Preocupado, o seu pai saí desesperado à sua procura. Ao cruzar uma ponte, caí no rio e é socorrido por um monge Budista que o leva de volta até a sua casa. O monge então lhe transmite o conhecimento de que se o senhor Shim levasse 300 sacos de arroz para o templo Budista, a sua visão poderia ser recuperada. Mesmo não acreditando nisso, mencionou essas palavras mais tarde para sua filha Shim Chung.

Num certo dia, marinheiros que iriam levar uma carga para a China foram até esse vilarejo para encontrar uma moça que pudesse ser jogada ao mar para apaziguar os dragões furiosos do mar. Pagariam qualquer preço para quem assim se oferecesse.

Shim Chung ouvindo isso, foi até o capitão do navio e se ofereceu para o sacrifício desde que ele entregasse 300 sacos de arroz ao templo Budista para restaurar a visão do pai.

Levada então ao navio, durante uma tempestade, mesmo com a relutância dos marinheiros de cumprir o sacrifício, ela mesmo se lança ao mar.

Shim Chung acorda no reino das criaturas marítimas, sendo recebida pelo rei dos oceanos. É cortejada pelo princípe que lhe oferece a posição de princesa. Lembrando-se de seu pai, ela recusa e implora  para retornar ao mundo de onde havia vindo. Entrando numa flor de lótus (símbolo de pureza e iluminação espiritual), ela retorna sob o consentimento do rei dos oceanos.

No palácio real do rei da Coréia, o rei é comunicado do aparecimento misterioso de uma enorme flor de lótus. Os servos então trazem a enorme flor e dentro dela ressurge Shim Chung. O rei então a convida para se tornar na rainha.

O rei então convida todos os anciãos cegos do reino para virem para um banquete no palácio. Shim Chung espera encontrar novamente com o seu pai. Indo de mesa em mesa, ela no entanto não encontra o seu pai. Desconsolada, eis que entra no palácio um pobre ancião. Shim Chung aproxima-se dele e o abraça pois é o seu pai. O velho Shim sem entender nada, a princípio a recusa, mas depois descobre que realmente é a sua filha que havia milagrosamente retornada à vida. Abraçando em lágrimas sua amada filha, eis que então os olhos do velho Shim se abrem e sua visão é recuperada. Logo após o milagre, todos os cegos do reino recuperam a visão.

A direção do Balé está a cargo de Oleg Vinagrodov, diretor durante vinte e cinco anos do Balé Kirov na Rússia (alguém se lembra do filme "O sol da meia noite" que se passa no Balé Kirov?). A coreografia é assinada por Adrienne Dellas. E a música da autoria de Kevin Pickard.

É a segunda apresentação de um total de dez no Japão. O Universal Ballet (www.universalballet.com) foi fundado em 1984 e ficou na responsabilidade do Dr. Bo Hi Pak durante muitos anos, tendo como prima ballerina, Hoon Sook Nim, a esposa de Heung Jin Nim.

Muito embora a peça já tenha mais de dez anos, foi a primeira vez que o autor desse artigo assiste a mesma.

Balé e ópera são dois gêneros artísticos onde sempre prevaleceram a competição, a inveja e onde a vaidade das prima donas sempre foram origem de escândalos épicos no passado e no presente. E sempre a iniciativa de se escrever uma peça era motivada pela cobiça de ganhar o favoritismo do rei e outras razões menos louváveis. O tema sempre foi (com poucas excessões) o amor entre dois amantes.

Nas várias peças dos grandes autores, inevitávelmente a ênfase ou caia na música ou na dança. Não havia um ponto de equilíbrio entre os dois. Se a música era boa, a dança era comum. Se a dança era boa, a   música era comum. E parecia que a história estava lá só para justificar a existência da música ou a dança.

No caso de Shim Chung, o tema é o amor filial da filha para com o pai, o que já a separaria da maioria das peças de balé. A história é o ponto central e a dança e a música são instrumentos para transmitir uma mensagem incomum nos dias atuais, atingindo um balanço ideal entre os três elementos. E pelo fato de ser uma história que se passa na antiga Coréia, é interessante e até curioso ver música e balé clássico com roupas tradicionais coreanas.

Após o término da peça, durante dez minutos de ininterruptos aplausos, o elenco inclinou-se umas cinco vezes até ao chão e então, uma surpresa ocorreu. De repente Hoon Sook Nim entrou e também inclinou-se para o público. Não fosse ela a esposa de Heung Jin Nim, seria difícil de pensar que Shim Chung (沈清) que significa profunda pureza possue a mesma letra chinesa de Chungpyung (清平) e a história se assemelha ao sacrifício de Heung Jin Nim de morrer por amor filial ao Verdadeiro Pai. Ou o fato de Dr. Bo Hi Pak (pai de Hoon Sook Nim) estar na prisão por causa de seu amor à providência para a unificação da Coréia (www.savebohipak.org). De fato, a mensagem de Shim Chung é a própria essência da mensagem dos Verdadeiros Pais ao mundo de hoje.